Guia · Atualizado em 2025

NR-1 e Riscos Psicossociais: guia prático para empresas

A nova redação da NR-1 tornou o gerenciamento de riscos psicossociais uma obrigação formal do empregador — não uma recomendação. E o problema que ela obriga a olhar já está dentro da sua empresa: foram 472 mil afastamentos por transtornos mentais no Brasil em 2024, alta de 68% em um ano (Ministério da Previdência). Este guia explica, sem juridiquês, o que mudou, o que sua empresa precisa fazer e por onde começar.

O que é a NR-1

A NR-1 é a Norma Regulamentadora que estabelece as disposições gerais de saúde e segurança no trabalho no Brasil. Ela é a "norma-mãe": define como todas as outras NRs devem ser aplicadas e cria o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que toda empresa com empregados deve manter.

A atualização mais recente amplia o escopo do PGR para incluir, de forma expressa, os riscos psicossociais — ao lado dos riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes que já eram avaliados.

O que são riscos psicossociais no trabalho

Riscos psicossociais são as condições de organização, gestão e relações no trabalho que podem causar adoecimento mental — ansiedade, depressão, burnout — e também impactar a segurança e a produtividade.

Esse risco não se distribui igual: 63,8% dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil são de mulheres (Ministério da Previdência, 2024), e cada afastamento dura em média de 30 a 90 dias. Qualquer diagnóstico psicossocial que ignore o recorte de gênero começa incompleto.

Os principais grupos são:

  • Excesso de demanda: jornada, ritmo, metas inalcançáveis, sobrecarga crônica.
  • Baixa autonomia: ausência de controle sobre o próprio trabalho, microgerenciamento.
  • Falta de apoio: liderança ausente, times isolados, ausência de reconhecimento.
  • Relações deterioradas: assédio moral, assédio sexual, discriminação, conflitos não resolvidos.
  • Insegurança: instabilidade contratual, medo de demissão, mudanças mal comunicadas.
  • Desequilíbrio trabalho-vida: extensão do expediente, disponibilidade permanente, dupla jornada.

O que sua empresa precisa fazer

A NR-1 exige um ciclo contínuo — não um documento pronto na gaveta. Na prática, isso significa cinco passos:

  1. Identificar os fatores psicossociais presentes nas rotinas, na cultura e na liderança da empresa.
  2. Avaliar a exposição do time — por área, cargo ou recorte relevante (por exemplo, mulheres em cargos de cuidado, lideranças intermediárias).
  3. Controlar: definir medidas de prevenção (redesenho de processos, capacitação de liderança, canais de acolhimento, políticas contra assédio).
  4. Registrar tudo no PGR — inventário de riscos, plano de ação, prazos, responsáveis.
  5. Monitorar continuamente e revisar o plano quando algo mudar (reestruturação, novos processos, incidentes).

Como promover a saúde mental no trabalho, na prática

Cumprir a NR-1 no papel é o mínimo — e o papel, sozinho, não evita afastamento nenhum. O que muda de verdade a saúde mental do time — e o que reduz afastamento, turnover e retrabalho — está do lado da prática:

  • Capacitar lideranças para conversas difíceis, feedback e reconhecimento — a liderança direta é o maior fator psicossocial na maioria das empresas.
  • Criar espaços regulares de escuta para os times, com facilitação externa quando o tema é sensível.
  • Trabalhar sobrecarga com recorte de gênero: a dupla jornada e o trabalho de cuidado invisível afetam principalmente mulheres e precisam entrar no diagnóstico.
  • Oferecer encontros vivenciais sobre planejamento de vida, autoconhecimento e limites — instrumentos práticos de prevenção, não só palestras informativas.
  • Documentar as ações como parte do PGR: isso é o que fecha a exigência da NR-1.

Como a Érica Costa entra

Uma clareza antes: eu não construo o PGR da sua empresa — isso é trabalho técnico da equipe de SST. O que eu entrego é a camada que o formulário não alcança: cada encontro mapeia os riscos psicossociais que aparecem dentro do tema que ele trabalha.

No De Mãe em Mãe, o risco que a maternidade carrega para dentro do trabalho — 48% das mulheres perdem o emprego em até 2 anos pós-parto (FGV). No Planejamento de Vida, a sobrecarga que adoece — 63,8% dos afastamentos por transtornos mentais no Brasil são de mulheres. No Mulheres para Valer, a equidade de gênero que começa em casa — e chega ao trabalho em forma de dupla jornada. Cada encontro entrega um mapeamento documentado dos riscos trabalhados, material que a sua equipe de SST incorpora ao PGR como ação de prevenção.

A Escuta é uma reunião de 60 minutos, gratuita, em que você sai com a leitura do cenário da sua empresa no recorte saúde mental feminina + NR-1 — mesmo se não houver contratação.

Este material é informativo e não substitui a orientação jurídica ou técnica de segurança do trabalho. Para o texto oficial, consulte a NR-1 no site do Ministério do Trabalho e Emprego.